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O poder do elogio na Educação

Vivemos numa sociedade de crítica, muito pouco tolerante a falhas e erros. Todos os dias procuramos erros nas atitudes e comportamentos dos outros à nossa volta, negligenciando o que está bem feito e esquecendo-nos de elogiar o que nós próprios e os outros fazem de bem. Bem enraizada na nossa herança cultural está a crença de que “se está bem feito não é preciso dizer nada, pois é essa a sua obrigação”. Mas a crítica pode também ser encarada como uma guideline, que nos permite rever atitudes ou ideias menos correctas.
Na relação interpessoal este é um aspecto essencial, uma vez que se a critica for feita como um ataque pessoal e não como uma indicação de que é possível melhorar algum aspecto, é provável que a criança adopte comportamentos defensivos ou negue responsabilidades perante um determinado comportamento. Sendo todo o acto pedagógico um acto de comunicação, que visa modificar o estado do saber, do saber-fazer ou do comportamento do receptor, a crítica, mas também o elogio, são grandes instrumentos comunicacionais de aprendizagem e motivação ao serviço da edução
Para que a critica seja entendida de uma forma positiva e construtiva é importante:

CRITICAR CONSTRUTIVAMENTE

- Seja específico e exacto, para que a criança perceba exactamente sobre o que está a ser criticado;
- Proponha uma solução de forma a orientá-lo para a resolução do problema;
- Faça a crítica pessoalmente e individualmente
- Espere pelo feedback do receptor da crítica e avalie o que ele lhe diz
- Evite críticas com forte componente emocional associada. Por exemplo, se está irritada com o seu filho evite criticá-lo nesse momento
- Seja sensível, no sentido de se colocar no lugar do seu filho e imaginar o que sentiria ao ouvir determinadas palavras.

Na primeira infância (até aos 5-6 anos), dizer a uma criança que ela é arrumada, ajuda a que a criança arrume realmente as suas coisas com maior frequência. Mas em idade escolar, as crianças já distinguem um elogio sincero de um manipulativo como o do exemplo anterior, tal como tendem a desacreditar de elogios cegos ou de elogios sem sentido. Mas para surtir o efeito desejado, o elogio deve ser sincero, justo, exacto, individual, impregnado de respeito e sensível às características individuais de cada um, de modo a que seja reconhecido por quem recebe como sendo merecido e sincero por parte de quem o dá.

ELOGIAR EFICAZMENTE

- Seja específico em relação ao comportamento que está a reforçar. Dirija o elogio às capacidades específicas, esforços e estratégias de cada um, numa determinada situação e evite ser global, do tipo “és tão inteligente” ou “ fazes tudo muito bem”.
- Dê feedback sempre que o comportamento ocorrer e no imediato
- Seja sincero, olhe nos olhos e elogie com o coração e evite usar o elogio para conquistar a pessoa de modo a, em seguida, a criticar.
- Seja breve e directo
- Use frases na primeira pessoa “Eu gostei muito …”
- Evite comparações com os outros, com o passado e com o futuro. Compare resultados e progressos de forma intra-individual e nunca entre indivíduos.
- Seja justo, dê o elogio a todos aqueles que realmente merecem. Os critérios do elogio devem ser transparentes, facilmente reconhecíveis pelos outros e iguais para todos os indivíduos numa mesma situação.
 
Estudos recentes mostram que crianças que são reconhecidas e valorizadas pelos seus esforços são mais persistentes nas tarefas, têm uma auto-estima mais elevada, divertem-se mais, têm mais facilidade em socializar e em estabelecer relações com os pares, apresentam maior confiança em si e nas suas capacidades e têm mais facilidade em progredir na escola e nas aprendizagens escolares.

Gentilmente cedido por Dra. Sofia Silvério, Psicóloga da Futuremed, (Psicologia Infantil e Adolescência)
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