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Como encarar a FEBRE na criança

O que é a Febre?

     Deriva do latim – febris – que define um estado do organismo caracterizado por um aumento anormal da temperatura corporal.
     A febre é um dos sinais ou sintomas mais frequentes na prática clínica pediátrica e aquele que motiva mais visitas às urgências hospitalares. Sendo um dos sinais clínicos mais antigos, conhecidos desde Hipócrates, é reconhecido como manifestação de doença e, frequentemente, causa de grande ansiedade nos pais.
     A febre é habitualmente a resposta do organismo a uma situação benigna, de curta duração. Não é nada mais do que uma manifestação da activação do sistema imunitário e neuro-endócrino, como resposta de fase aguda a qualquer agressão do meio exterior. Durante os primeiros anos de vida as crianças têm várias vezes febre sem que isso deva ser motivo de preocupação. A febre é uma manifestação comum de várias doenças, entre as quais, mais frequentemente as infecciosas, tanto de etiologia viral (“viroses”) como bacteriana, e um dado imprescindível na apreciação global de uma criança doente.
 
Como medir a temperatura?

     Deve medir a temperatura com um termómetro. Pode medi-la no canal auditivo, no recto ou na axila. Entre estas possibilidades, deve-se determinar a temperatura da criança preferencialmente por via rectal ou por termometria timpânica (canal auditivo). Em idades inferiores a 3 meses, continua a ser aconselhada a medição da temperatura rectal. Um termómetro adequado deve ser introduzido suavemente na ampola rectal, a cerca de 3 a 5 cm de profundidade, devendo aí permanecer por 2 a 3 minutos. A partir desta idade a segunda técnica é mais aconselhada. Não é tão desconfortável para a criança e a temperatura timpânica partilha vascularização com o hipotálamo, correlacionando-se assim com a temperatura central, não sendo a sua fiabilidade afectada pela presença de otite média ou cerúmen.
Em circunstância alguma deve ser utilizada a medição da temperatura bucal, pelo perigo que representa para a criança.
 
Quando considerar que existe febre?

     Definir os limites da temperatura normal do corpo torna-se difícil, dado que nenhuma leitura da temperatura pode ser dada como normal para todos os indivíduos em todas as ocasiões. A temperatura central normal oscila no ser humano entre os 37-38ºC, variando dentro destes limites, de indivíduo para indivíduo. Assim, existe um ritmo circadiano com um mínimo de temperatura corporal durante o sono, entre as 2-6 horas, e um máximo vespertino, entre as 17-19 horas, aumentando esta variação com a idade. Este ritmo circadiano não existe no recém-nascido e crianças até aos 2 anos de idade. Para além das variações diárias fisiológicas, as crianças tendem a ter temperaturas rectais mais elevadas do que os adultos, podendo ao fim da tarde ou após o exercício físico, ser normal uma temperatura de 38-38,5ºC. Outros factores, como as refeições, a ingestão de grandes quantidades de proteínas, o vestuário excessivo, a temperatura ambiente, estados emocionais e a actividade muscular, têm também influência no aumento da temperatura corporal.
 
     Em termos práticos, é aceite pela maioria dos autores a definição de temperatura corporal normal a que, avaliada a nível rectal e em condições ideais (repouso há 30 minutos, equilíbrio térmico com o ambiente e em jejum há pelo menos 1 hora), se situa entre 37,6º e 37,8ºC.
 
Considera-se febre uma temperatura rectal igual ou superior a 38ºC (ou 38,3ºC segundo outros autores) ou uma temperatura axilar superior a 37,5ºC.

Como agir?

Inicialmente, pode tentar que a temperatura decresça:
- Não agasalhe a criança, mantendo-a fresca, com roupas leves;
- Dê-lhe um banho de imersão morno/água tépida;
- Reforce a ingestão de líquidos, pois o aumento da temperatura corporal acompanha-se de um aumento de sudorese e, por conseguinte, a perda de líquidos pelo organismo;
- Utilize um medicamento para baixar a febre (previamente aconselhado e receitado pelo seu médico assistente, com dose ajustada ao peso da criança).
 
Quando ficar preocupado? Quais os sinais de alarme?

- Quando a febre se acompanha de extrema prostração da criança (ex: não quer brincar, recusa alimentar, sonolência exagerada) ou alterações comportamentais (ex: irritabilidade);
- Quando aparecem manchas na pele;
- Quando apresentar dificuldade respiratória;
- Quando vomitar repetidamente;
- Quando complicada de convulsão febril.
 
            Em qualquer uma destas situações, a criança deve ser observada com urgência!
            Se a febre persistir para além de 48-72h, deverá igualmente ser observada pelo seu médico assistente.
 
Quais as complicações mais graves da febre?

1-      A desidratação;
2-      Manifestações neurológicas (irritabilidade, delírio, desorientação, alucinações);
3-      A convulsão febril, em crianças susceptíveis (que se pode manifestar sob a forma de tremores ou movimentos súbitos tónico-clónicos dos braços e/ou pernas, “revirar dos olhos”, perda de reacção ou resposta a estímulos (verbais ou físicos), lábios e/ou pele roxos, ou o conjunto de todos estes) – esta é uma situação de EMERGÊNCIA, devendo de imediato levar a criança ao hospital, de forma a prevenir futuras sequelas;
4-      Descompensação de uma doença crónica de base (cardíaca ou pulmonar).
 
 
Gentilmente cedido por Dra. Marta Cabral

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